
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou nesta quarta-feira (20) o projeto de lei ( PL 2.839/2019 ), que institui a Política Nacional de Conscientização e Incentivo à Doação e Transplante de Órgãos e Tecidos. O projeto, originário da Câmara dos Deputados, recebeu relatório favorável do senador Humberto Costa (PT-PE). Com a aprovação de requerimento de urgência na CAS, o texto segue para análise no Plenário.
Segundo o relator, o projeto é conhecido como Lei Tatiane em homenagem à Tatiane Penhalosa, que faleceu aos 32 anos após esperar dois anos por um transplante de coração.
— Esse projeto tem como objetivo principal conscientizar a população sobre doação de órgãos e tecidos e promover essa discussão em espaços capazes de formar opiniões acerca da importância desse gesto.
O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), que presidiu a reunião, apontou que o poder público encontra dificuldades para disponibilizar quantidade de sangue suficiente para realização de cirurgias.
— É sabido que não temos ainda, com a Hemobras [Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia, estatal do setor de derivados do sangue e biofármacos], condições de atender as demandas procuradas.
Entre os objetivos da política está a conscientização da população sobre a relevância da doação de órgãos e tecidos a fim de aumentar a disponibilização desses materiais para a saúde pública. Além disso, há a finalidade de promover a discussão e a formação continuada de gestores e profissionais da saúde sobre o tema.
O texto também traça como fim o aprimoramento, em todo o território nacional, do Sistema Nacional de Transplantes (STN), para que este atenda adequadamente as necessidades de saúde da população. A função de órgão central do STN é exercida pelo Ministério da Saúde.
A política contemplará, entre as suas estratégias, o desenvolvimento de atividades, nos estabelecimentos de ensino, direcionadas à disseminação de conteúdos sobre o tema, a ser realizada anualmente na última semana de setembro.
Também promoverá a adoção, nos cursos técnicos de nível médio e nível superior na área da saúde, de conteúdos e práticas que favoreçam a atuação dos profissionais neles formados nas diversas dimensões relativas à doação e ao transplante de órgãos e tecidos.
Humberto Costa propôs duas emendas de redação ao texto, prevendo que a formação continuada de profissionais da saúde e da educação sejam, posteriormente, objeto de regulamento.
Os senadores criticaram a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 10/2022 , que permite a comercialização de plasma humana para produção de medicamentos, e propuseram a doação como forma de contornar a falta do material humano nos hospitais. Para o senador Marcelo Castro (MDB-PI), a PEC é contrária aos interesses dos parlamentares que elaboraram a Carta Magna.
— Já tivemos essa experiência [de comercialização de órgãos humanos] no passado e não foi boa. Os constituintes mudaram completamente essa lógica. E hoje todo o tecido e órgão humano não podem ser comercializados, tem que ser doados. O que nós precisamos é fazer cada vez mais campanhas. A campanha de combate ao tabagismo no Brasil é a mais vitoriosa do mundo. O que devo fazer? Retomar as campanhas que sempre houve no Brasil para que as pessoas se sintam responsáveis socialmente. No caso do sangue e plasma humano, admitimos que a iniciativa privada possa participar, mas não comprando o sangue ou parte do sangue do ser humano. Uma vez doado, que possa ser industrializado. E uma industrializado pela iniciativa privada, que possa ser comercializado— afirmou.
Senado Federal CRE aprova Sérgio Rodrigues dos Santos como embaixador na Rússia
Senado Federal CSP aprova regras para abordagem da polícia a pessoa em crise mental
Senado Federal CRE aprova André Veras Guimarães para embaixada no Irã; indicação vai a Plenário Mín. 21° Máx. 39°