
Por Redação Augustinópolis, TO — Em tempos onde a exaustão intelectual parece assombrar os corredores públicos, a política de Augustinópolis acaba de nos presentear com uma lição magistral de desprendimento burocrático e autoconfiança parlamentar. Um vídeo que circula intensamente nas redes sociais traz como protagonista a vereadora Solange do Donizete, que, em um momento de impressionante "transparência", revelou sua fórmula particular de legislar: assinar projetos de lei sem a necessidade incômoda de ler as matérias.
O episódio ocorreu logo após uma sessão na Câmara Municipal. No registro, a parlamentar buscava selar uma aparente trégua ou parceria com um conhecido crítico da administração pública local, o "Negão do Celular". Sob o pretexto de defender o debate, a democracia e a sacrossanta liberdade de expressão — bandeiras sempre úteis para ilustrar discursos —, a vereadora acabou por deixar escapar a engrenagem que move seu mandato.
Fonte de reprodução https://www.augustinopolis.to.leg.br/
A Estética do "Analfabetismo Funcional" com Grife
Há quem veja na declaração uma pitada de arrogância institucional; outros preferem encarar como uma vanguarda performática. Dizer com naturalidade que chancela textos jurídicos que impactarão milhares de vidas sem gastar energia com a interpretação de texto não é para qualquer um. É a consagração de uma espécie de analfabetismo funcional gourmetizado, onde o representante do povo se coloca tão acima das minúcias técnicas que a leitura se torna um mero detalhe decorativo.
"Para que perder tempo decifrando parágrafos, incisos e alíneas quando se tem a intuição política flutuando no ar?" — parece ser o mantra silencioso que ecoa em certas cadeiras do legislativo.

Essa disfunção crônica, tratada com naturalidade quase poética pela parlamentar, mostra que a capacidade técnica para o cargo muitas vezes é substituída pelo pragmatismo das alianças de ocasião. O debate democrático, que deveria ser pautado pelo rigor técnico e pela defesa do cidadão, transforma-se em um balcão de negócios rápidos, onde a caneta funciona perfeitamente, mesmo com os olhos bem fechados.
Ao fim e ao cabo, a sociedade augustinopolina assiste a mais um capítulo da nossa comédia política. Resta ao cidadão comum, aquele que é obrigado a ler as letras miúdas de qualquer contrato para não ser passado para trás, pagar a conta desse luxuoso desapego literário dos seus representantes.
Tocantins Agenda no interior: Amélio Cayres percorre cavalgadas e consolida articulações na abertura de exposições agropecuárias
Tocantins Rumo ao Palácio: Dorinha consolida pré-candidatura ao Governo com forte apoio na região sul do Tocantins
Tocantins Tocantins refém da velha política! Mín. 21° Máx. 34°