
O Ministério da Cultura (MinC) lançou na quarta-feira, 5 de abril, o Prêmio Carolina Maria de Jesus de Literatura Produzida por Mulheres 2023, voltado ao reconhecimento de trabalhos inéditos produzidos por mulheres. Das 40 obras selecionadas, ao menos 20% serão de mulheres negras, 10% de mulheres indígenas, 10% de mulheres com deficiência, 5% de mulheres ciganas e 5% de mulheres quilombolas. A comissão julgadora também será totalmente feminina. O edital tem um valor total de R$ 2 milhões, sendo R$ 50 mil para cada escritora premiada.
De acordo com o MinC, o edital é a maior premiação literária do país e também um marco nas políticas públicas de acessibilidade, como o primeiro a utilizar técnicas de linguagem simples, direito visual e design editorial, por meio de parceria da pasta com o Laboratório de Inovação e Dados do Governo do Ceará (IRIS).“O Prêmio Carolina Maria de Jesus já nasce muito lindo e muito diferente, mais leve, mais fácil, mais inclusivo. Pela primeira vez, fazemos a publicação de um edital da Cultura não apenas no modelo tradicional, mas também em um formato totalmente acessível”, destacou a ministra da Cultura, Margareth Menezes.
O prêmio é uma ação da Secretaria de Formação, Livro e Leitura do MinC, por meio da Diretoria do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas. Ele atende aos princípios e às diretrizes do Plano Nacional do Livro e Leitura e da Política Nacional de Leitura e Escrita. Segundo pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, coletivo de pesquisadores vinculado à Universidade de Brasília (UnB), mais de 70% dos livros publicados por grandes editoras brasileiras entre 1965 e 2014 foram escritos por homens. Os dados também mostram que 90% das obras literárias foram escritas por brancos e pelo menos a metade dos autores é originária do eixo Rio de Janeiro/São Paulo.
Cerimônia de lançamento
O lançamento do edital foi realizado em cerimônia no Palácio do Planalto com a presença de autoridades, cidadãos e da filha de Carolina Maria de Jesus, a educadora Vera Eunice de Jesus, que relembrou a trajetória da mãe. “Ela sempre tinha um lápis, a roupa sempre tinha um bolso. Fomos criados, assim, com a minha mãe sempre escrevendo. Era uma mulher à frente do seu tempo”.
O secretário de Formação, Livro e Literatura do MinC, Fabiano Piuba, ressaltou que o concurso é mais do que uma ação literária, sendo também uma política de equidade. “Estamos executando políticas públicas de cultura, de artes, de educação, mas também de cidadania, diversidade e acessibilidade cultural, com ênfase nas políticas afirmativas.”
A ministra da Igualdade Social, Anielle Franco, comentou sobre a importância do ato de ler e escrever em sua vida. “Eu lia Carolina e eu me reconhecia em muitas situações, nas resistências das favelas. O racismo que assola a gente fez com que Carolina não fosse reconhecida. Trago aqui a importância de termos um Governo que faz um edital como esse.”
O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, também ressaltou a importância simbólica da premiação. “Convivemos em uma sociedade constituída pelo racismo e machismo, é preciso pensar a literatura como ferramenta para equidade”, afirmou.
Inscrições a partir de 12 de abril
O Edital do Prêmio Carolina Maria de Jesus foi publicado no Diário Oficial da União no dia 5 de abril e estará aberto para inscrições, gratuitas, entre 12 de abril e 10 de junho de 2023, pelo sistema Mapas Culturais . São elegíveis obras nas categorias conto, crônica, poesia, quadrinhos, romance e roteiro de teatro, redigidos em português do Brasil e inéditos. A candidata deverá inscrever apenas uma obra inédita em apenas uma categoria. Não poderá haver, em nenhuma parte do texto, a indicação da autora, o que será motivo dedesclassificação.
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Carolina Maria de Jesus
O prêmio lançado pelo MinC homenageia uma escritora brasileira de renome internacional, Carolina Maria de Jesus (1914-1977), mulher negra, periférica, mãe solteira, catadora de material reciclável e autora de obras reconhecidas dentro e fora do país. Em seu primeiro livro,Quarto de despejo: o diário de uma favelada, publicado em 1960, Carolina demarca questões sociais, resistência e a paixão por escrever. A obra foi traduzida em 13 línguas e vendida em mais de 40 países. Carolina também foi cantora e compositora de sambas e marchinhas.
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