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“Nada do que vi é normal”: Juiz aposentado critica conduta de magistrado afastado em Augustinópolis

Em entrevista exclusiva, ex-titular da Comarca aponta abusos, condenações injustas e desrespeito a advogadas: “O Tribunal demorou a agir”.

01/03/2026 às 15h30 Atualizada em 01/03/2026 às 15h42
Por: Redação Fonte: Coluna
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“Nada do que vi é normal”: Juiz aposentado critica conduta de magistrado afastado em Augustinópolis

O recente afastamento do juiz Alan Ide Ribeiro da Silva, titular da 2ª Vara de Augustinópolis, continua gerando fortes reações no meio jurídico do Tocantins. Após notas da OAB, a reportagem do Nosso Tocantins ouviu um jurista que conhece bem a cadeira hoje ocupada por Alan: um juiz aposentado que comandou a mesma Comarca por cinco anos.

O relato é contundente. Para o magistrado veterano, as atitudes registradas em vídeos de audiências e reportagens não são apenas "erros", mas comportamentos incompatíveis com a toga.

Abusos em Audiências e "Gritos nos Corredores"

O entrevistado destaca que o problema não é apenas técnico, mas de postura humana. "Assisti a atitudes que não condizem com o que se espera de um juiz. Vi atos grosseiros e abusivos, especialmente contra advogadas", afirmou.

Ele relembrou que, em sua época na Comarca, também teve divergências com profissionais, mas que tudo era resolvido com diálogo. "O bom juiz não trabalha aos berros com advogados, testemunhas ou servidores. A sabedoria se demonstra na cortesia, não na força."

Erros que custam caro ao Estado

A crítica também atinge a produtividade e a legalidade das decisões de Alan Ide. Entre os pontos citados, destacam-se:

  • O "Bando de Idiotas": Em um Júri em 2025, o juiz teria ironizado o réu perguntando se ele achava que havia "um bando de idiotas" no local. O resultado foi a anulação total do julgamento e a soltura do acusado.

  • Penas Inventadas: Em outro caso, o Conselho de Sentença decidiu por uma pena de 1 a 3 anos (homicídio culposo), mas o juiz teria "inovado" na sentença, condenando o réu a quase 10 anos.

  • Desobediência ao Tribunal: O magistrado também teria ignorado ordens diretas de desembargadores do TJ-TO para realizar novas audiências em processos com falhas graves.

"Justiça não é Castelo"

Para o jurista ouvido pelo portal, a imagem do Judiciário em Augustinópolis está ferida. Ele criticou inclusive a postura da OAB local, que, segundo ele, pareceu defender o juiz em vez de proteger os advogados desrespeitados.

"O justo juiz se impõe pelo bom trabalho e pela educação, não vive 'encastelado'. Espero que, desta vez, o Tribunal de Justiça tome uma providência eficaz", concluiu.

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